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Toxinas ambientais como mercúrio estão relacionados a doenças neurodegenerativas

Muitas pessoas não acreditam que a contaminação do meio ambiente possa ter alguma influência negativa no nosso organismo e que o que fazemos contra a natureza volta contra nós. 

 

Uma das doenças mais temidas dentre as doenças neurodegenerativas se chama Esclerose Lateral Amiotrófica, conhecida como E.L.A ou doença de Lou Gehring. A ELA é uma doença que compromete  o neurônio motor do nosso organismo. Pouco a pouco este neurônio vai diminuindo e, com isso, o organismo começa a ter fraqueza gradativa e progressiva, dificuldade para correr, depois para andar, em seguida para escovar os dentes, e então para engolir água e comida e, finalmente, o organismo perde a força para respirar e morre. A média de sobrevida está entre 3 a 5 anos, geralmente esta doença não afeta a cognição, por isso o doente continua consciente do que esta acontecendo.

 

Em 2014 o desafio ao combate a ELA foi iniciado nos Estados Unidos, com a campanha Ice Bucket Challenge (desafio do balde de gelo), feita para angariar recursos para o tratamento da (ELA), que ganhou as redes sociais com famosos (Bill Gates e Mark Zuckerberg) aceitando o desafio de tomar um banho de água e gelo e doar recursos para a campanha. A doença não tem cura e não se sabe exatamente o que causa. Acredita-se na tese de que a maior influência da origem seja ambiental, uma vez que genética está relacionada apenas a 10-15% dos casos, que na grande maioria não tem qualquer conexão hereditária.

 

Pesquisas recentes apontam uma associação entre o aumento de contaminantes no organismo, como metais pesados (mercúrio), e doenças, neurodegenerativas como a ELA.

 

Um estudo apresentado este ano, no 69Encontro Anual da Academia Americana  de Neurologia pesquisou 518 pessoas, onde 294 tinham a doença, e as demais 224 não. Neste estudo foi demonstrado que entre aqueles que consumiam regularmente frutos do mar e peixe e tinham a doença apresentavam níveis de mercúrio no nível superior. Do total, 61% dos pacientes com ELA tinham aumento dos níveis de mercúrio, contra 44% dos que não tinham a doença. O estudo conclui que aqueles que tem níveis aumentados de mercúrio, tem 2 vezes mais chances de ter a ELA, em relação aqueles com níveis baixos de mercúrio no organismo.

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VÍDEO RECOMENDADO: Dr. Leonardo Higashi, nutrológo e endocrinologista da Clínica Higashi explica sobre a influência das toxinas na disregulação hormonal normal do nosso organismo.

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Já se sabe que a alimentação com peixes de maior porte, como peixe espada e o tubarão, por exemplo, aumentam a chance de estarem contaminados com mercúrio pois são no mar o final da cadeia alimentar e o mercúrio tem alta afinidade com a proteína do peixe. Por essa razão o FDA (EUA), recomenda evitar a ingestão destes peixes maiores durante a gravidez. Entretanto, no Brasil uma pesquisa realizada no Rio de Janeiro pelo departamento de química da PUC-Rio demonstrou que até peixes menores como atum podem estar contaminados. Neste estudo, entre as 39 amostras de atum sólido enlatado, pertencentes a cinco marcas diferentes, 53% das amostras apresentavam um teor acima do máximo recomendado de mercúrio. Os pesquisadores neste estudo alertam para o alto risco dessa contaminação no organismo, principalmente em grupos mais suscetíveis crianças e gestantes.

 

 

Além do mercúrio os pesticidas, aos quais a população é submetida, também estão associados ao aumento da incidência de ELA. Foi o que demonstrou um estudo, realizado em militares americanos, pela Universidade de Michigan, e posteriormente publicada na prestigiada revista científica Neurology. E estudo demonstrou que dos 110 adultos com diagnóstico de ELA, comparados com pessoas sem a doença, os casos que apresentaram a doença tinham uma história pregressa de maior risco de contaminação em relação aqueles sem a doença.

 

Estes, entre os  estudos, demonstram que estamos contaminando nossos alimentos e essa contaminação aumentam nossas chances de ter doenças neurodegenerativas incuráveis, com causas ainda ditas desconhecidas. Seriam tão desconhecido assim, ou não queremos enxergar?

 

 

Autor: Dr. Rafael Higashi , mestre em medicina, nutrólogo e neurologista da Clínica Higashi. tel: 21-34398999 ( Rio de Janeiro) e 43-33238744 (Londrina).

NUTROLOGIA E DOENÇAS NEURODEGENERATIVAS de Dr. Rafael Higashi

 

Referências:

https://www.sciencedaily.com/releases/2017/02/170223092345.htm

https://link.springer.com/article/10.1007/s11011-016-9870-6

http://www.cbc.ca/news/health/mercury-fish-seafood-als-study-1.3991094

http://www.foxnews.com/health/2016/05/10/pesticides-military-service-may-be-tied-to-als-risk.html