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Dieta Cetogênica é indicada e segura para o tratamento do sobrepeso ou obesidade?

Dr. Rafael Higashi, médico nutrólogo e neurologista, mestre em medicina e diretor médico da Clínica Higashi, afirma que sim. 

 

Segundo o especialista a dieta cetogênica pode ser indicada tanto para combater o sobrepeso como à obesidade, mas ressalta que devem ser respeitadas contraindicações, como; insuficiência hepática e renal, depressão grave, diabetes tipo I, infarto recente, doenças inflamatórias intestinais em fase aguda e uso de diuréticos como as furosemidas, entre outras condições a gravidez também.

 

Vale destacar que existem vários tipos de dietas cetogênicas. A cetose ocorre quando o organismo, na ausência do carboidrato, utiliza a gordura como fonte energética. Neste processo bioquímico são liberados corpos cetônicos e, posteriormente, seus produtos – cetona, acetona e acetoacetona- são eliminados na urina. As dietas cetogênicas para emagrecimento induzem a este processo bioquímico de queima de gordura. É importante lembrar que, em estado de jejum prolongado, o corpo humano utiliza sua reserva de carboidrato armazenado no fígado, chamado de glicogênio, que garante fornecimento de energia por cerca de 24 horas. Quando esgotado, o organismo entra em cetose para produzir a energia necessária ao seu funcionamento basal.

 

 

O primeiro passo necessário para um plano médico nutrológico de emagrecimento eficaz é definir a quantidade de quilos (gordura) que o paciente precisa emagrecer. O médico nutrólogo utiliza diversos índices para chegar ao peso ideal. Um bom recurso é saber qual o peso mínimo, na idade adulta, e acrescentar 1 kg a cada década (de idade). Uma mulher com 50 anos, 1,60 m de altura, que aos 20 anos apresentava 60kg (peso mínimo), teria como peso objetivo o equivalente a 63 kg. Outro dado que pode ser utilizado é o Índice de Massa Corporal (IMC), que é peso dividido pela altura2. Neste caso a meta a ser alcançada seria um IMC entre 23 e 25. Um paciente com 77 kg e 1,60 m, teria pelo cálculo do IMC, um valor igual a 30. Então por uma conta de regra de 3, para ela chegar a um IMC de 23 (o ideal) teria que pesar 59 kg.

Outra ferramenta que apresenta grande eficiência é o exame de bioimpedânciometria, do tipo multifrequencial segmentar. Ela avalia a composição corporal total - membros e tronco, de gordura, massa muscular esquelética e agua corporal. Uma mulher com 77 kg, no exame aponta-se 11 kg a mais de gordura corporal em relação a média, então o peso ideal seria 66 kg. O médico nutrólogo vai chegar a um meio termo entre estas informações.

 

 

Entre os tipos de dietas que são cetogênicas podemos citar os três principais, contudo, apesar de diferentes, todas tem em comum a baixa quantidade de carboidratos. São elas:

 

dieta cetogênica tradicional se tornou muito conhecida a partir dos estudos do Dr. Atkins. Seu livro, publicado em 1972, revela estudos a partir de pesquisas sobre a alimentação dos esquimós. Nele, demonstrou que, apesar da alta ingesta de gordura, esse povo alcançava alta expectativa de vida, sem indícios de doenças coronárias e vasculares, além de energia suficiente para caçar e sobreviver em baixíssimas temperaturas. Basicamente, em fase inicial, esta dieta consiste em 70% a 75% de gordura,  20% de proteína, baixa quantidade de carboidrato (entre 5% e 10%). Não há limitação da quantidade de calorias a serem consumidas, apenas restrição nos tipos de alimento.

 

O segundo tipo é a dieta cetogênica intermitente, indicado muitas vezes para atletas, como tenistas que combinam exercício aeróbico com períodos de atividade física de alta intensidade. Neste caso é permitido usar uma quantidade especifica de carboidrato logo antes, durante e ou na sequencia do exercício, permitindo a reposição da reserva de glicogênio muscular e evitando fadiga muscular, sem perder a possibilidade de cetose entre os treinos.

 

O terceiro tipo intitulado de cetogênica proteinada VLCD (Very Caloric Diet), é o que mais tem resultado em termos de emagrecimento. Composto por baixa quantidade de calorias (a custa de baixo carboidrato e gordura), mantendo a quantidade normal de proteína. Tais proteínas contam com alto valor biológico (aminoácidos essenciais) que o organismo não é capaz de produzir, conservando a massa muscular apesar do emagrecimento. Neste tipo de dieta, em especial, é importante fazer uma suplementação vitamínica e de minerais, além da hidratação, já que a queima da própria gordura pelo mecanismo de cetose aumenta a perda de minerais através da urina. Esta suplementação evita os sintomas colaterais, ocasionados pela falta de minerais, tais como; enjoo, tonteira, fraqueza muscular, câimbras, secura da pele, prisão de ventre e alteração da pressão.

 

Após o período de um mês, a partir do inicio da dieta do tipo cetogênica, o paciente que não apresentar resultado satisfatório deve ser submetido a uma avaliação para verificar se ele realmente esta em cetose. Se o resultado deste exame, feito através de um exame de urina, apresentar cetose +, a fita do exame exibirá uma escala de rosa claro (cetose leve) até roxa escura (cetose intensa). Isso evidencia sinais de que a dieta não está correta. Outra possibilidade é de que o metabolismo do paciente esteja muito lento. Neste caso, o exame de calorimetria, realizado através da troca gasosa da respiração, mostrará a Taxa Metabólica de Repouso (TMR) do organismo - o quanto o organismo queima de calorias para suas necessidades fisiológicas em repouso. Uma pessoa com uma TMR diminuída (metabolismo muito lento) poderá não estar entrando em cetose, pois a quantidade de calorias que indivíduo precisa para suas funções básicas é baixa. Também é possível que, durante a dieta, estejam sendo ofertadas calorias a mais em relação ao que ela esteja queimando. Entre as causas do metabolismo lento podemos citar diminuições hormonais, que podem ocorrer tanto no homem como na mulher, ou uma própria adaptação fisiológica, que pode ocorrer no organismo após um período de dieta restritiva.

 

A dieta do tipo cetogênica pode ser considerada um aliado importante para o tratamento do sobrepeso e obesidade, porém, somente o médico terá condições  de indicar, contraindicar, escolher as opções mais adequadas e reavaliar o resultado da cetose como tratamento.

 

Dr. Rafael Higashi. Mestre em medicina (UFF), neurologista e nutrólogo com residência médica em neurologia pela UFRJ e nutrólogo com título de Membro titular da Associação Brasileira de Nutrologia  e Membro Titular da ABNEURO (Academia Brasileira de Neurologia). Tem especialidade no exterior em tratamento do envelhecimento pelo Cenegenics Medical Institute. Hoje diretor médico da Clínica Higashi no Rio de Janeiro ( tel: 21-34398999 / 21-983005500).